Colecionável bem vestido

Como vestimenta de combate, as armaduras estão obsoletas a séculos. Mas suas qualidades esculturais são atemporais para decorar um lar, seja uma réplica ou uma raríssima original. “Armaduras antigas não ficam bem lado a lado à arte moderna e contemporânea”, diz Thomas Del Mar, marchand londrino que a cada dois anos conduz leilões na Sotheby’s. “É linda. Simples assim. Vai se destacar não importa onde você a coloque.”

Colecionadores há muito reconhecem as qualidades decorativas das armaduras. Elas eram tão populares — e escassas — no início do século XIX que artesãos atendiam a demanda replicando desenhos famosos de eras passadas. Hoje em dia, muitos marchands e casas de leilão tem esses itens, marcando e precificando elas apropriadamente; em dezembro, Del Mar vendeu um conjunto do final do século XIX, mas estilizado como do século XVI, por US$ 4.400.

Esse montante ainda é menor que o leilão recorde de £1,9 milhões por uma armadura original do século XVI, alcançado durante 1983 pela Sotheby’s em Londres. Entretanto, Peter Finer, um marchand de armas e armaduras antigas, diz já ter vendido uma peça por um valor “consideravelmente maior”. A enorme armadura, feita para ser usada como símbolo de status e não para proteção, já pertenceu ao primeiro Lorde Astor de Hever, alcunha do milionário norte-americano expatriado William Waldorf Astor. O mestre renascentista Giovanni Paolo Negroli confeccionou a vestimenta na década de 1540 para o rei frances Henrique II.

Bonhams leiloará armas e armaduras antigas dia 20 de Junho em São Francisco e dia 20 de Julho em Londres, e Christie’s venderá itens semelhantes dia 22 de Junho em Londres. A próxima venda de Del Mar na Sotheby’s é dia 29 de Junho.

Além de estimular a produção de réplicas, a demanda por armaduras também levou artesãos inescrupulosos no século XVIII a fazerem vestimentas falsificadas, que podem ser antigas mas não devem ser confundidas com réplicas intencionais. “Falsificações baratas são facilmente reconhecíveis”, diz Stuart Pyhrr, chefe do departamento de Armas e Armaduras do Museu Metropolitano de Artes de Nova Iorque. “Elas foram baseadas em moedas e medalhas que não ficaram bem em 3-D. Ocasionalmente, o metal entrega: algumas falsidades são feitas de um metal que só apareceu no século XIX. Finer lembra que armaduras falsas se entregam quando vestidas. “Em elmos”, diz ele, “você pode achar o visor acima das sombrancelhas” – uma falha que tornaria a vestimenta mais inútil ao cavaleiro do que a compra pelo colecionador.

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